No final da década de 1950, a Rolex confia a um jovem designer suíço, Gérald Genta, a criação de um relógio-jóia de excepção destinado à sua clientela mais exigente. O resultado supera todas as expectativas. Inspirada na mitologia e na arquitectura da Grécia antiga, a King Midas nasce em 1962 e torna-se imediatamente o relógio mais caro e mais pesado do catálogo Rolex – e um dos mais audaciosos alguma vez produzidos pela marca. Muitos anos antes de desenhar o Royal Oak da Audemars Piguet (1972) e o Nautilus da Patek Philippe (1976), Genta lança já, com a King Midas, as bases da sua assinatura: uma caixa escultural de geometria forte, complementada por uma bracelete metálica integrada.
O nome do relógio faz referência ao rei Midas da Frígia, que, segundo o mito, transformava em ouro tudo aquilo em que tocava a sua mão esquerda. É precisamente esta lenda que dita o posicionamento da coroa às 9 horas – do lado esquerdo. A coroa denteada evoca o sol no topo do Olimpo, ao passo que a caixa pentagonal assimétrica recorda a silhueta do Partenão de Atenas; as ranhuras profundas da bracelete integrada representam as suas colunas. Integralmente esculpida à mão num bloco de ouro maciço de 18 quilates por ourives altamente qualificados, cada King Midas é uma peça única: o peso e os acabamentos variam ligeiramente de exemplar para exemplar.
A referência 9630 constitui a primeira – e à época a única – série numerada e limitada da história da Rolex. Menos de 800 exemplares foram produzidos entre 1962 e 1972, dos quais cerca de 144 em ouro branco e os restantes em ouro amarelo. Esta produção confidencial, aliada a um preço de venda largamente superior ao de uma Day-Date, reservava a King Midas a uma elite de amadores esclarecidos. Entre os proprietários célebres, contam-se Elvis Presley (n.º 343), que recebeu a sua após os concertos no Houston Astrodome em 1970, e John Wayne (n.º 557).
O exemplar que temos o prazer de propor ostenta o número de produção 058 – o que o torna um dos primeiríssimos exemplares fabricados. O seu número de série Rolex (842xxx) situa a sua produção em 1962-1963, ou seja, logo no lançamento do modelo. Este estatuto de exemplar incrivelmente « early » traduz-se numa característica notável e cobiçada: a ausência da inscrição « KING MIDAS » gravada nos flancos da caixa, de parte e outra da coroa « serra ». Esta gravação só foi introduzida a partir do ~250.º exemplar. Os flancos da caixa do nosso exemplar apresentam-se, assim, lisos e virgens – um marcador de antiguidade apreciado pelos coleccionadores mais exigentes.
O mostrador champanhe em ouro maciço exibe as inscrições « Rolex » às 12 horas e « Cellini » às 6 horas, seguida de « SWISS ». Não se trata, portanto, do mostrador inicialmente entregue com o relógio, que ostentava a palavra « ΜΙΔAΣ » (Midas em letras gregas), mas sim de uma versão Cellini instalada pela Rolex por ocasião de uma revisão – prática corrente na altura da transição entre a colecção King Midas e a linha Cellini, em meados dos anos 1970. Este mostrador Rolex é perfeitamente autêntico e apresenta-se em soberbo estado. Os ponteiros bastão em ouro são de origem.
A caixa e a bracelete integrada encontram-se num estado de conservação impressionante. O relógio muito certamente nunca foi polido: as superfícies escovadas/acetinadas e polidas espelho estão nitidamente delimitadas, e as arestas da caixa pentagonal permanecem vivas. Conservada no seio de uma mesma família francesa durante décadas sem ser usada, esta King Midas apresenta uma particularidade estética notável: o ouro amarelo de 18 quilates desenvolveu, nomeadamente entre os elos da bracelete, uma soberba pátina de superfície de iridescências azuladas, violáceas e acobreadas. Esta oxidação natural e multicolor, testemunho de décadas de repouso sem intervenção, confere ao relógio um carácter único e uma beleza singular que apenas o tempo pode produzir.
A bracelete integrada em ouro maciço encontra-se completa e termina-se no fecho duplo desdobrável característico do modelo, ornado de coroas Rolex de cada lado e gravado « King Midas by Rolex of Geneva » no interior. O vidro de safira – um dos primeiros a ser utilizado pela Rolex, muito antes da sua generalização nos modelos desportivos – apresenta-se em perfeito estado.
No coração do relógio pulsa o calibre Rolex 650 de corda manual, sobre base Frédéric Piguet 21. Este calibre de base ultra-plano, desenvolvido já em 1925 e utilizado sob diferentes denominações pelas maiores casas (Patek Philippe calibre 175, Vacheron Constantin calibre 1003, Cartier calibre 21…), mede apenas 1,8 mm de espessura – uma proeza técnica que permite à King Midas conservar um perfil notavelmente fino apesar dos seus 183 gramas na balança. O calibre 650, dotado de 17 rubis, bate a 18 000 alternâncias por hora e oferece cerca de 42 horas de reserva de marcha. Foi integralmente revisto por um dos nossos relojoeiros experientes e funciona na perfeição.
Com o seu design arquitectónico vanguardista, a sua produção ultra-limitada, o seu pedigree Genta e o seu movimento ultra-plano de excepção, a King Midas ref. 9630 ocupa um lugar à parte na história da Rolex. O nosso exemplar n.º 058, entre os primeiríssimos produzidos, num estado de conservação notável e ostentando a pátina multicolor que apenas as décadas podem oferecer, constitui uma oportunidade excepcional para o coleccionador em busca de uma peça verdadeiramente fora do comum.